Entre a sala de aula e a pesquisa, novas trajetórias ajudam a repensar a formação de professores
Dados sobre desempenho acadêmico e projeções para os próximos anos reforçam a importância de preparar uma nova geração de professores
Por: Lais Fiocchi, Comunicação Faculdade SESI de Educação

A formação de professores vai além da sala de aula e inclui experiências que aproximam teoria, pesquisa e prática educacional. Foto: Everton Amaro/SESI-SP
Os desafios da formação de professores no Brasil vão além da necessidade de ampliar o número de profissionais nas escolas. Dados recentes sobre as licenciaturas também chamam atenção para a qualidade da formação oferecida aos futuros docentes.
Segundo dados do Enade das Licenciaturas, produzidos pelo MEC/Inep e analisados pelo Todos Pela Educação no Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026, apenas 20,2% dos estudantes avaliados atingiram o nível considerado adequado. Entre aqueles que cursaram a graduação a distância, o percentual foi ainda menor: 12,3%, ante 31,9% entre os estudantes dos cursos presenciais.
Os números ajudam a dimensionar um desafio que se soma à necessidade de renovar o quadro de professores no país. Uma projeção do Instituto Semesp aponta que o Brasil pode enfrentar um déficit de 235 mil professores na Educação Básica até 2040.
Nesse cenário, discutir a formação docente também significa pensar em como preparar profissionais para uma escola em transformação e quais experiências podem contribuir para que eles cheguem à profissão mais preparados para os desafios da educação.
Na Faculdade SESI de Educação, essa formação aproxima conhecimento acadêmico, pesquisa e prática educacional. A Residência Educacional coloca os estudantes em contato com o cotidiano das escolas desde o início até a conclusão da graduação. Projetos de pesquisa, extensão e outras experiências ampliam as possibilidades de atuação e de construção de conhecimento.
As trajetórias de estudantes e egressos da instituição mostram, na prática, alguns desses caminhos.
Ciência para transformar a forma de ensinar
No terceiro ano de Ciências da Natureza, Thelma de Morais Bento de Jesus encontrou na Iniciação Científica uma maneira de aproximar a ciência de questões relacionadas à ancestralidade e à cultura afro-brasileira.
Seu projeto, “Ciências e Ancestralidade: Reconhecendo Saberes Negros no Ensino de Ciências da Natureza”, busca criar propostas pedagógicas para o ensino de Ciências da Natureza a partir de conhecimentos e epistemologias africanas e afro-brasileiras.
“É difícil ver a aplicação da Lei 10.639/03 em Ciências, por exemplo, já que o mais comum são as matérias de História e Artes. E, mesmo assim, apenas alguns recortes, como escravos e colonizados. As culturas africanas e suas tecnologias e saberes precisam ser expostos assim como as epistemologias eurocêntricas”, explica.
Durante a pesquisa, Thelma desenvolveu, entre outras propostas, um trabalho com o Nilômetro, relacionado aos conhecimentos desenvolvidos no Egito Antigo e à sustentabilidade. A atividade foi realizada com estudantes do 6º ano dentro de uma abordagem STEAM.

Thelma de Morais Bento de Jesus recebeu o Prêmio Destaque na FEBIC 2026, na categoria Preservação Histórico-Cultural, pelo projeto “Ciências e Ancestralidade: Reconhecendo Saberes Negros no Ensino de Ciências da Natureza”. Foto: arquivo pessoal.
A experiência também trouxe reflexões que ultrapassaram o conteúdo científico. “Um aspecto muito importante foi perceber como a representação que os estudantes tinham sobre os povos egípcios era muito diferente da que realmente é devido às mídias e à falta de informação. Depois de uma intervenção sobre o povo egípcio e suas tecnologias, fizemos uma discussão sobre ancestralidade e história”, conta a estudante.
A pesquisa levou Thelma a congressos e eventos científicos. Em 2026, ela apresentou o trabalho no XXI Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, em Brasília, e na FEBIC, em Joinville, onde recebeu o Prêmio Destaque na categoria Preservação Histórico-Cultural.
“A Iniciação Científica mudou bastante a forma como eu vejo a minha própria formação. Antes, eu pensava principalmente em aprender os conteúdos para depois ensinar. A pesquisa me mostrou que ser professora de Ciências também significa questionar quais conhecimentos aparecem nas aulas, quais histórias são contadas e quais conhecimentos acabam sendo invisibilizados”, comenta.
A experiência também ajudou a definir um novo projeto profissional. “Hoje eu me vejo como uma futura professora que não quer apenas transmitir conteúdos, mas incentivar os alunos para que se reconheçam na Ciência e compreendam que ela é uma construção humana, histórica e cultura”, afirma Thelma.
Da licenciatura para novas possibilidades profissionais
A formação docente também pode abrir caminhos profissionais que vão além da atuação tradicional em sala de aula.
É o caso de Antônio Gabriel Casburgo de Almeida, egresso da Licenciatura em Matemática. Ele entrou na Faculdade SESI em 2020 e, durante a graduação, participou de projetos, residência, monitoria, congressos, simpósios e atividades estudantis.
Foi também nesse período que teve contato com a tecnologia educacional. A experiência de estágio o levou à empresa responsável pela operação da Eduten Brasil, plataforma de aprendizagem de Matemática desenvolvida pela Universidade de Turku, na Finlândia.
Aos poucos, novas responsabilidades surgiram. Antônio passou a atuar com formação de professores, acompanhamento de redes públicas, análise de dados e planejamento pedagógico. Hoje, é Coordenador Pedagógico da Eduten Brasil. “Tudo permeando a tecnologia na educação, auxiliando os professores que precisavam de inclusão com os alunos”, conta.
Para ele, a experiência na graduação foi importante justamente por apresentar diferentes possibilidades de atuação. “Eu acredito que a graduação no SESI é uma graduação que te posiciona muito bem como educador. Sabe exatamente seu papel, a importância da educação, dá possibilidades para você seguir nas pesquisas”.
As trajetórias são diferentes, mas têm algo em comum: mostram que a formação de professores se expande a partir da sala de aula e que a formação de excelência pode transformar vidas.
Pesquisa, ciência, tecnologia, extensão, Residência Educacional e outras experiências ao longo da graduação podem abrir caminhos distintos dentro da educação. Em um cenário de renovação do quadro docente e de mudanças nas escolas, formar professores também significa prepará-los para compreender essa realidade e encontrar novas formas de atuar nela.
Vestibular 2027 oferece formação gratuita em seis licenciaturas
A preparação de novos professores é o foco dos seis cursos de licenciatura oferecidos pela Faculdade SESI de Educação, que recebe inscrições para o Vestibular 2027. Ao todo, são 340 vagas gratuitas para os cursos de Ciências da Natureza, Matemática, Linguagens e Códigos, Educação Física, Ciências Humanas e Pedagogia.
Com formação presencial e duração de quatro anos, os cursos integram a Residência Educacional à graduação, aproximando os estudantes da realidade das escolas desde o início da formação. A proposta também inclui experiências de pesquisa, projetos e atividades que ampliam o contato dos futuros professores com diferentes áreas da educação.
As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até 21 de outubro. A prova, primeira etapa do processo seletivo, acontece no dia 31 de outubro.
Serviço
Vestibular 2027 | Faculdade SESI de Educação
Inscrições: até 21 de outubro de 2026
Taxa de inscrição: gratuita
Vagas: 340
Cursos: Ciências da Natureza, Matemática, Linguagens e Códigos, Educação Física, Ciências Humanas e Pedagogia
Modalidade: presencial
Local: Rua Carlos Weber, 835, Vila Leopoldina, São Paulo/SP
Prova objetiva on-line: 31 de outubro de 2026, das 14h às 17h
Inscrições e informações: www.faculdadesesi.edu.br


