Maria Inês Fini fala sobre a evolução e os desafios da educação no Brasil durante o IV Congresso Internacional de Educação Sesi-SP
A especialista destaca: informação não é conhecimento, memória não é inteligência e tecnologia não é pedagogia
Durante o IV Congresso Internacional de Educação Sesi-SP, o público teve a oportunidade de compreender alguns dos desafios da educação no país com a pesquisadora, educadora e uma das principais referências na área de avaliação educacional, Maria Inês Fini.

Maira Inês Fini, doutora em Educação, fundadora da Faculdade de Educação da UNICAMP. Ex-diretora e depois ex-presidente do INEP e
idealizadora do ENEM e do ENCCEJA. Coordenou a criação das Matrizes de Referência do SAEB, PROVA São Paulo, SARESP e SIADE.
Foto: Everton Amaro – Fiesp/Sesi
Com a mediação do Jerry Chacon, coordenador do curso de Linguagens da Faculdade Sesi de Educação, a especialista explicou que nos anos 90, por conta de algumas ações estruturais do Ministério da Educação, das secretarias estaduais e do setor privado, a educação no Brasil melhorou ao incluir boa parte dos estudantes brasileiros no Ensino Fundamental.
Com este avanço, segundo Maria Inês, pela primeira vez o Brasil passou a saber quantas crianças estavam nas escolas, quais eram as suas origens, quantos estudantes estavam em cada série, a trajetória que eles faziam, até a formação dos seus pais.
Com a possibilidade de calcular as taxas de aprovação, reprovação e abandono, desde então, o Censo da Educação Básica tem se aprimorado em oferecer dados cada vez mais confiáveis à gestão pública da educação. “Recentemente, com muito orgulho eu digo isso, o INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) lançou um sistema de dados consolidados, com todas as informações educacionais que nós temos”, destacou a educadora.
Sobre os sistemas de avaliações, a especialista destacou a criação do SAEB (Sistema de Avaliação em Educação Básica), em 1996, que avalia a Educação Básica. Logo depois, em 1998, o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e no ano 2000 o Encceja (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos), que é a certificação nacional para a EJA (Educação de Jovens e Adultos).
Com base nas provas citadas, foram criadas as matrizes de referência das avaliações, que são as habilidades e competências que devem ser verificadas em determinadas etapas da Educação Básica. “A função de uma matriz de avaliação é definir exatamente qual é o conteúdo que o aluno tem que dominar”, disse Maria Inês.

Foto: Everton Amaro – Fiesp/Sesi
Contudo, a especialista afirmou que a cultura de avaliação do Brasil é muito jovem e ainda precisa aprimorar. “Nós melhoramos demais as análises estatísticas, mas eu acredito que falta o passo da interpretação dos resultados”.
No caso da falta de compreensão, a educadora reforçou sobre a importância de o professor entender como os alunos processam as informações transmitidas. Por isso, é preciso que este professor converse, dialogue com a sua turma. “Não existe inteligência artificial que substitua a inteligência humana. Informação não é conhecimento, memória não é inteligência e tecnologia não é pedagogia”, reforçou.
Apesar das evoluções nas políticas públicas em educação, a palestrante destacou que o valor investido desde a década de 1990 aos dias de hoje não ampliou, mesmo que outros programas tenham sido criados. Essa falta de estruturação e de foco das políticas acarreta, muitas vezes, na pouca evolução em torno de boas iniciativas, como, por exemplo, a aplicação do SAEB, que no momento não consegue incluir os alunos surdos, com transtornos mentais, dentre outras necessidades especiais.
Além disso, a especialista chama a atenção para as longas jornadas dos profissionais de educação, que impactam na evolução em sala de aula.
Outro desafio mencionado pela professora é estruturar melhor os currículos do Ensino Fundamental, Médio, da Educação de Jovens e Adultos e no ensino profissional. A educadora acrescenta que a formação dos professores deveria ser por áreas de conhecimento, que permite uma formação técnica e profunda, citando como bom exemplo as graduações oferecidas pela Faculdade Sesi.
Nos momentos finais de sua participação, Maria Inês contou que faz parte da evolução nas escolas ouvir os familiares dos estudantes e compartilhar com eles as suas ações. A profissional explicou ainda que o setor privado tem um papel importante na Educação Básica e no Ensino Superior, por conta dos investimentos financeiros feitos a inúmeras entidades sociais, que com tal apoio incrementam com dinheiro a educação pública.


